Milhares de apoiantes vestidos de vermelho acompanharam o chefe de Estado num percurso pelas ruas de Belo Horizonte, a quatro dias da segunda volta das eleições, na qual enfrentará o filho mais velho do antigo Presidente Jair Bolsonaro (2019-2023).
Lula, que procura um quarto mandato não consecutivo, aos quase 81 anos, evitou grandes discursos a partir do veículo que o transportava, para poupar a voz debilitada nos últimos dias de campanha.
Ainda assim, pegou no microfone em alguns momentos para recordar iniciativas aprovadas em plena campanha, como a redução do horário de trabalho de 44 para 40 horas semanais ou o perdão das dívidas de milhões de trabalhadores independentes
Lula reiterou também a promessa de tornar gratuitos os transportes municipais aos fins de semana e feriados e de alargar um programa de apoios financeiros aos estudantes universitários.
O chefe de Estado tem insistido, na reta final da campanha, nas ligações do adversário a familiares de membros de grupos paramilitares do Rio de Janeiro, berço político do bolsonarismo e onde operam estas organizações criminosas, constituídas por polícias e antigos polícias corruptos.
"A única coisa que aprendeu na vida" foi "contar mentiras, mentiras e mentiras", e voltou a desafiá-lo a levantar o sigilo telefónico e bancário para esclarecer as suspeitas de corrupção que sobre ele recaem.
Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, é considerado uma espécie de fiel da balança nas disputas presidenciais.
O candidato que vence em Minas Gerais, um estado com uma forte atividade agrícola e mineira, tem chegado sempre ao Palácio do Planalto.
Na primeira volta, Flávio obteve 48,2% dos votos naquela região decisiva, contra 43,3% de Lula, uma diferença que o candidato do Partido dos Trabalhadores pretende inverter na segunda volta.
"Tenho a certeza de que Minas Gerais me dará a vitória outra vez", afirmou.
Flávio no Nordeste para tentar diminuir diferença de votos com Lula
Citação a Elon Musk, corrente de oração do Pai-Nosso seguida por festa que mais lembra Carnaval marcaram a última agenda do candidato presidencial Flávio Bolsonaro no Nordeste do Brasil, onde tenta diminuir a diferença face a Lula da Silva.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro realizou um comício em Fortaleza, no Ceará, na noite de quarta-feira, onde voltou defender o legado do pai e a dizer que irá aposentar, no próximo domingo, o seu principal adversário do Partido Trabalhista (PT).
O Nordeste brasileiro é onde Lula é mais popular que Flávio. Só no Ceará, na primeira volta das eleições, o líder de esquerda teve 63,29% dos votos válidos, enquanto Flávio teve 31,27%.
No entanto, em Fortaleza, a diferença foi menor. O petista teve 53,48% (797.002 votos válidos) e Flávio 39,34% (586.251 votos válidos), o que é explicado pela ascensão de nomes ligados ao bolsonarismo na cidade.
Perante uma multidão, Flávio afirmou que "faltam só quatro dias" para "tirar o Brasil do cativeiro" e "libertar o país da era do Lula", acrescentando que "acabou para ele, acabou o PT, vai perder".
Os apoiantes responderam com gritos de "Ladrão! Lula, ladrão, seu lugar é na prisão!", enquanto o candidato prometeu que, no domingo, irá "aposentar o Lula".
Bolsonaro também procurou rebater críticas sobre as suas propostas, classificando como notícias falsas afirmações de que acabaria com o Bolsa Família, com as pensões ou com direitos dos homossexuais.
"Eu quero falar para os gays que estão aqui hoje: vocês são sempre muito bem-vindos, porque vocês fazem parte do nosso Brasil", afirmou, acrescentando que "ninguém tem o direito de se meter na forma como você quer ser feliz".
"E comigo, vocês, homossexuais, LGBT, vão prosperar como todo cidadão brasileiro", declarou o candidato, que prometeu ainda "melhorar a vida" dos brasileiros.
Na área da segurança, Flávio voltou a reafirmar que criminosos sejam "presos ou neutralizados pela polícia" e que menores de idade que cometam crimes respondam "como adulto".
O candidato também defendeu a castração química para violadores e pedófilos.
Ao abordar a educação e as oportunidades para os jovens, Flávio citou o empresário Elon Musk e a antiga ginasta brasileira Daiane dos Santos como referências que os jovens deveriam ter.
"A referência tem que ser sonhar em ser um Elon Musk, em ser uma Daiane dos Santos, e não o dono da boca de fumo da favela onde você mora", afirmou.
