Com perto de 92% dos votos contados, o bloco de Netanyhau estava à frente, com 53 lugares, enquanto o de Gadi Eisenkok, somava 48, num total de 120 lugares no Parlamento, nem um nem outro consegue, se não houverem alterações de fundo, formar um Governo.

É que nem Eisenkot nem Netanyahu aceitam integrar membros dos partidos árabes, pelo menos dois deles com votação relevante, na sua coligação de Governo, embora estes pequenos-grandes partidos somem 19% dos votos de 7 milhões de eleitores.

A razão para que este seja o epílogo mais provável é, como explica no podcast Dialogue Works, Elijah Magnier, analista político e antigo correspondente de guerra durante mais de três décadas no Médio Oriente, estarem em falta apurar pouco mais de 600 mil votos.

Votos esses, que são, ou das forças de segurança, que votam por norma extrema-direita, e beduínos, do deserto do Neguev, que votam nos partidos árabes, acabando assim por não alterar quase nada, visto que tanto Eisenkot, antigo CEMGFA, e Netanyahu, são ambos ideologicamente de direita extrema e pouco diferem nas propostas, apenas se distinguem nos métodos.

Estas não são as primeiras eleições em que Israel vota pelo impasse, porque entre 2018 e 2021, os eleitores israelitas tiveram de ir três vezes ás urnas para que, finalmente, fosse possível formar um Executivo cokm base numa, como sempre sucede, intrincada coligação de interesses e vontades.

Face a esta recusa liminar de Netanyahu e Eisenkot em acolher membros da comunidade árabe na sua coligação e, provavelmente, lhes ter de entregar cargos ministeriais, o mais certo neste momento é que nova votação seja convocada pelo Presidente israelita, Isaac Herzog, para as próximas semanas, embloras este já tenha apelado publicamente para que seja conseguido um consenso parlamentar de Governo.

Todavia, não é certo que essa nova votação ocorra, porque tudo indica que Benjamin Netanyahu, após as eleições intercalares nos Estados Unidos, consiga, finalmente, convencer o seu "amigo" Donald Trump de lançar uma nova vaga de ataques contra o Irão, à qual se juntará de imediato Israel, voltando o estado de guerra a impor-se sobre a democracia.

E também isso não é novo, porque não apenas já aconteceu no passado por quatro vezes, a última das quais em 2023, e a anterior em 1982, todas por causa de guerras ou conflitos graves, e seria de novo a justificação para Benjamin Netanyahu adiar as eleições sine die.

É que, apesar de este resultado parecer positivo para o actual primeiro-ministro, a tradição eleitoral em Israel não confere qualquer relevância decisiva a quem chega á frente na contagem de votos, porque toda a mecânica negocial posterior se impõe claramente.

E a única forma de Netanyahu escapar ás malhas da justiça com 100% de segurança é manter-se no poder, porque assim que deixar o cargo que ocupa há 19 anos, terá de enfrentar o processo judicial onde responde há anos por corrupção, abuso de poder e branqueamento.

E só porque tem mantido o país em estado de permanente conflitualidade ou ganhando eleições, Benjamin Netanyahu tem conseguido manter-se fora do alcance da justiça israelita.

Há, todavia, uma fresta de oportunidade para que Eisenkot mude de ideias, visto que alguns dos líderes de pequenos partidos que o apoiam, especialmente os mais à esquerda, como Yoar Golan, já começaram a dizer que não há uma razão válida para não negociar com os partidos árabes a formação de uma coligação de Governo.