Benguela vai seguir o último discurso sobre o Estado da Nação a viver a pior crise dos últimos tempos no domínio da distribuição de água, aquela que personifica o clima de tensão social vigente nas principais cidades da província.

Esta crise, em grande medida ligada a uma promessa eleitoral falhada, feita pelo PR em 2022, conheceu um novo capítulo com as cheias do passado dia 12 de Abril, que arrastaram uma conduta nas imediações do rio Cavaco.

É certo que, no âmbito do Programa Integrado de Infra-estruturas e do projecto de reabilitação e operação assistida no sistema de distribuição, são visíveis algumas acções, mas os benefícios tardam a chegar às cidades de Benguela, Lobito, Catumbela, Navegantes e Baía Farta.

A promessa eleitoral falhada é a barragem que deveria estar, hoje, ao serviço da retenção das águas do rio Catumbela, com um baixo caudal nas últimas semanas, uma situação que, segundo a Empresa Provincial de Águas e Saneamento de Benguela, ajuda a explicar a redução na oferta.

Greves e protestos, muitos associados a deficiências na distribuição de serviços públicos, marcam, portanto, a realidade numa província que viu João Lourenço assinar, dentro do último mandato, contratos superiores a dois mil milhões de dólares, com a resposta às enxurradas incluída.

Obras emergenciais, nos domínios da macro-drenagem, energia, águas e construção de uma circular rodoviária externa são algumas das justificações encontradas nos documentos.

A dois dias do discurso sobre o Estado da Nação, o activista cívico Júlio Lofa, líder da Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), diz que o seu desejo é ouvir do PR o anúncio de um sistema de prevenção face a calamidades naturais.

"Não apenas para Benguela, onde as tragédias se repetem, mas para todo o País", salienta o líder juvenil, reafirmando a necessidade de um sistema de alerta eficaz e responsável, capaz de contribuir para a redução dos estragos.